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Filme: O quarto de Jack

Uma moça de 17 anos é sequestrada e mantida em cativeiro por oito anos, nesse período ela tem um filho com o sequestrador que a estupra regularmente. O filme é comovente e nos faz pensar em como os seres humanos se comportam, e do que eles são capazes de fazer. Joy foi atraída para casa do sequestrador achando que ela iria cuidar de um cachorro.

Para que Jack não percebesse o que acontecia, Joy (sua mãe) criou um mundo imaginário, o quarto era o planeta, onde eles brincavam, comiam, tomava banho, liam e dormiam, nunca saiam do quarto. E com isso foram criados laços afetivos entre mãe e filho, um meio que ela encontrou de driblar a dura realidade e de amenizar seu sofrimento. Jack tinha apenas 05 anos e convivia com a mãe, ambos trancados num quarto de apenas 10 metros quadrados.

Os seres humanos são capazes de se acostumar a absolutamente tudo?

Somos seres indefesos, sensíveis, ingênuos e às vezes submissos, somos fáceis de ser manipulados e enganados o tempo todo. Percebemos isso quando nos emocionamos com histórias contadas, quando ouvimos discursos, o tom de voz nos comove e nos convence, e não pensamos se o que ouvimos é real, verdadeiro e se nos fará bem.  O filme é dividido em duas partes, dentro e fora do quarto, entre a prisão e a liberdade, mas realmente o que é liberdade? O universo dos sonhos é o caminho para enfrentarmos os absurdos que somos expostos em nosso cotidiano, um meio de fuga.

Tudo que ela queria era sair do quarto com seu filho e voltar para a família. Mas quando isso aconteceu, ela se sentiu livre? Joy tentou o suicídio por não se sentir feliz e livre. Essa parte do filme representa as nossas fantasias de liberdade. Acreditamos que ao mudar a situação em que vivemos seremos mais felizes, quando saímos da casa dos pais, ou de um casamento, de um emprego, ou de algo que nos faça sentir presos, mas só nos mostra que a realidade não garante felicidade.

O filme nos faz lembrar o Mito na Caverna, escrito pelo filosofo Platão, onde conta uma história quase parecida, de um prisioneiro que desde o nascimento vive preso por correntes numa caverna, seu contato com o mundo exterior era por uma fogueira que é projetada na parede no interior da caverna, e tudo que existia era a sombra dele mesmo projetada no fundo da parede. Num belo dia ele consegue se soltar e sai da caverna, e quando sai ficou encantado com o mundo real.

O que nos leva a pensar quantos Jacks temos na vida real? Quantos Jacks conhecemos? Quando ouvimos os dogmas e conceitos sobre políticas e religião, sem considerar o olhar do outro, o que realmente existe ao seu redor, não é como o Jack? Para eles a verdade é apenas aquilo que se pode ver, o que lhe é mais conveniente acreditar. Claro que toda crença é válida, e todos tem o direito de crer ou descrer. No entanto, limitar o olhar apenas para aquilo em que acreditamos e hostilizar as crenças alheias não faz nenhum sentido, né verdade?

O filme nos coloca cara a cara com nossos medos, com o medo do desconhecido, e com isso, muitas vezes deixamos de conhecer coisas e pessoas legais, ainda que conheçamos o mundo real, percebemos que na maioria as nossas certezas na realidade não passam de ilusões criadas em função de nossa autopreservação.

Somos todos Jack, onde tem preconceito.

Somos todos Jack, quando sentimos falta daquilo que nos fazia mal.

Somos todos Jack, quando achamos que o mundo gira em nossa volta.

Somos todos Jack, quando nossas crenças ferem a liberdade de quem pensa diferente.

 

Confira o trailer.

Juliana Moreira
Graduanda em Psicologia na Estácio, intrigada em conhecer o desconhecido através da leitura.
http://Psicoatualizando.com

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