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Conversando sobre a Morte

A morte, conhecida como um fenômeno de difícil explicação, sempre foi vista como algo assustador, doloroso, que dá um sentimento de finitude e medo do desconhecido, como um assunto que não deve ser falado e, assim, a morte é evitada e negada a todo custo. O significado da morte é diferente para cada pessoa e se relaciona com as histórias pessoal, social e cultural, além de experiências de perdas, personalidade e fase do desenvolvimento (KOVÁCS, 2003).

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De acordo com Viorst (2007), só através das perdas as pessoas se desenvolvem, sendo que, para se compreender a vida, é preciso compreender como as perdas são enfrentadas. Essas perdas são constituídas por mortes simbólicas e mortes físicas, e todas elas implicam em um processo de luto e posterior modificação dos hábitos. Desta forma, pode-se visualizar significativas transformações durante o desenvolvimento humano, no que se refere à elaboração do conceito de morte. Esta trajetória é cercada por diversas e diferentes perdas, por exemplo, separação dos pais, perda de emprego, desaparecimento de objeto especial, ou seja, o sujeito se depara com a necessidade de elaborar vários lutos. A morte é apenas uma das tantas perdas que experienciamos ao longo da vida.

Os estudos mostram que a sociedade ocidental tem grande dificuldade em lidar com a morte, tornando-a inominável e velada. A maneira como a sociedade se posiciona frente a ela é refletida na postura da equipe de saúde que atua diretamente com pacientes terminais e a morte.

Diante das diversas formas de entender e enfrentar a morte, o trabalho em conjunto se torna um grande desafio, afinal, cada profissional, cada um com sua percepção, pode conduzir o cuidado do paciente de uma forma diferente. Os profissionais que acreditam que a morte é uma inimiga e que deve ser combatida a todo custo, trará para a sua prática a obstinação terapêutica e o investimento total na cura custe o que custar, utilizando todas as tecnologias hoje existentes e muitas vezes sustentando uma realidade de sofrimento para o paciente e seus familiares; enquanto que os profissionais que entendem a morte como um processo natural da vida, buscarão acima de tudo confortar o paciente e os familiares para que, passando por uma doença que ameace a vida, o paciente tenha os tratamentos e cuidados necessários para curar (se for possível) e controlar sintomas, estimulando a comunicação e a expressão de sentimentos, favorecendo a manutenção da autonomia e da dignidade até o fim da vida.

O relacionamento destes profissionais, com visões diferentes, merece ser tratado com muita delicadeza, encorajando o que há de melhor em cada visão, através de reuniões frequentes para discussão de caso, contribuindo assim para uma uniformidade da conduta, mantendo o paciente e seus familiares confiantes e seguros com a assistência prestada.

A partir da mudança na trajetória da morte, com tecnologias e novas drogas que contribuem para o controle de algumas doenças, o processo de morte também sofre modificações. A equipe de saúde passa a conviver por mais tempo com a terminalidade, tendo que se aproximar do falar sobre a morte. Essa pode ser uma boa oportunidade para a construção de novas percepções, já que o que não se fala, o interdito, é que traz medo e estranhamento, e agora, mais do que nunca, há a necessidade dos profissionais se desenvolverem para lidar com a morte e assim sustentarem uma prática humanizada.

Daniela Sampaio – Psicóloga Clínica, com formação em Terapia Cognitiva, especializando-se em Cuidados Paliativos pelas Ciências Médicas de Minas Gerais e Gestão em Saúde pela UNIFACS.

Referências Bibliográficas:

KOVÁCS, Maria Júlia. Educação para a morte: desafio na formação de profissionais de saúde e educação. São Paulo: Casa do Psicólogo: FAPESP, 2003.

 VIORST, Judith. Perdas Necessárias. 32º Edição, Ed. Melhoramentos, 2005.

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