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Autismo – Entender e Respeitar

Por Luciana Di Domizio

Desde 2008 o dia 2 de abril passou a ser o dia Mundial da Conscientização do Autismo pela ONU (Organização das Nações Unidas). Essa data marca um dia para refletirmos sobre o assunto e promovermos conhecimento sobre o mesmo, colaborando para a diminuição do preconceito que as pessoas autistas e suas famílias sofrem. Mais conhecimento, menos preconceito!

Sempre gosto de trazer a minha prática clínica para os meus textos e o que observo muitas vezes é que a falta de informação sobre o assunto contribui para a não aceitação do diagnóstico. Claro, o que não conhecemos costuma nos assustar! A partir do momento em que convivemos e procuramos entender como são as pessoas autistas fica muito mais fácil perceber que além do autismo existe uma pessoa, ou seja, que a pessoa autista antes de ser autista é uma pessoa e precisa ser enxergada como um todo e não como um rótulo.

Enxergar o autista como um todo significa enxergar essa pessoa dentro de uma visão ampla, como um ser único no mundo, com sua maneira particular de ser, sem reduzi-lo a sua “condição de autista”. Entretanto, aceitação não é sinônimo de não buscar o tratamento.  O “tratamento” é fundamental para que a pessoa possa se desenvolver o melhor possível dentro de sua condição, ou seja, tratar é buscar recursos para desenvolvimento de comportamentos necessários e favoráveis ao desenvolvimento saudável do indivíduo.

É muito importante para a pessoa autista que esse tratamento comece o quanto antes e seja feito por um profissional capacitado para tal. E aí está a importância do diagnóstico precoce. É comum em transtornos de desenvolvimento ocorrer uma espera para verificar se os sintomas que levaram os pais a procurarem ajuda médica se mantém ou se modificam ao longo do tempo.  No caso do autismo essa espera costuma prejudicar demais, pois enquanto esperamos não fornecemos os estímulos necessários para o desenvolvimento neurológico e comportamental da criança.

Ciente da importância do diagnóstico precoce seguem alguns sinais que podem auxiliar a identificação de autismo em crianças. Vale lembrar que o diagnóstico é complexo, precisa ser feito por um profissional especializado e que é necessário a constatação de um conjunto de sintomas para se dizer que uma pessoa tem autismo. Esses sintomas também variam quanto ao nível de comprometimento do indivíduo, podendo ser leves, moderados ou severos. Dessa forma essas dicas não são regras para diagnóstico de autismo, simplesmente são sinais de alerta para que os pais procurem ajuda profissional se observarem a presença desses sinais aqui descritos:

– O bebê faz pouco ou não faz contato visual, principalmente quando a mãe o amamenta.

– A criança não imita ou imita muito pouco (você pede para ela imitar ações e percebe que pode haver uma dificuldade ou resistência a imitação).

– A criança não aponta.

– A criança apresenta dificuldade de interagir com crianças de mesma idade ou aparenta não entender como agir em situações sociais (desde as mais simples como cumprimentar uma pessoa, dialogar,  estar com uma criança, brincar, até dificuldades mais sutis)

– A criança brinca de uma maneira muito particular utilizando o objeto de maneira não funcional – não usa o objeto para sua função ou brinca com partes de objetos, ou há uma pobreza em sua criatividade para brincadeira, brincando sempre da mesma maneira, com dificuldades de imaginação.

– A criança utiliza a linguagem de maneira não funcional – a fala pode não ser com a intenção de comunicar ou comunica algo que apenas o indivíduo entende. Também pode ocorrer repetições de falas de outras pessoas, de filmes fora do contexto da situação.

– A criança apresenta hipersensibilidade ou hipossensibilidade  – ela cai, se machuca e não chora, por exemplo, como se não estivesse doendo. Ou pode se incomodar com a presença de estímulos que aparentemente não incomodam os outros, como ruídos, etiquetas em roupas, etc.

– A criança tem uma certa inflexibilidade, querendo que tudo seja sempre do seu jeito e de uma maneira semelhante, sendo que se algo for alterado essa criança se desequilibra.

– A criança costuma agredir a si mesma ou aos outros.

– A criança parece não notar a presença de outras pessoas, até mesmo seus pais, como se você falasse com ela e ela não estivesse ouvindo ou lhe vendo, percebendo sua presença.

– Pode ocorrer inquietação constante, dificuldade de parar e se concentrar em alguma atividade, até mesmo atividades de que demonstra gostar.

– A criança costuma requisitar a atenção dos pais para atender alguma necessidade dela, mas requisita pouco ou não requisita para fazer atividades em comum, por exemplo, a criança não procura o pai ou a mãe para mostrar alguma coisa, não divide a atenção com os pais em uma atividade, você senta para brincar com a criança e ela não compartilha a brincadeira, mesmo estando com você é como se ela brincasse sozinha.

– A criança aparentemente não tem noção de perigo.

– Dificuldades de ser empático – a criança tem dificuldades de entender o que acontece com o outro, ex: um coleguinha se machuca e ela parece não entender o que aconteceu.

– Fala de si mesmo na terceira pessoa (ex: não fala eu, fala seu nome “fulano” quer água) ou tem dificuldade de reconhecer a si mesmo como um indivíduo.

– Você percebe que a criança tem dificuldade de se expressar e de expressar suas emoções.

– Risadas ou choro repentino que você não identifica o contexto.

– A criança tem um tom de voz monótono ou não oscila muito sua entonação de fala.

– Com frequência você percebe repetições de movimentos da cabeça, membros superiores ou inferiores ou tronco.

– Muitas vezes os objetos parecem ser mais atrativos para as crianças que as pessoas, demonstra mais interesse por objetos.

 

São inúmeros e variados os indicadores de autismo e muitas vezes os pais por estarem acostumados com os filhos não identificam algumas características que podem ser relevantes para o diagnóstico e busca de um tratamento adequado.  É importante que pessoas próximas desses pais possam ajudá-los a identificar e principalmente apoiá-los tanto no processo de descoberta e aceitação quanto durante o tratamento. Cada criança é única e cada tratamento é único e especializado para a necessidade da criança. Que a conscientização sobre os direitos, necessidades e mesmo sobre o diagnóstico do autismo seja constante e não apenas no dia  02 de abril e que a sociedade faça valer o direito de inclusão e o respeito a cada autista e suas famílias.

Luciana Di Domizio Amaral é Psicóloga clínica, mestre em Psicologia Experimental: Análise do Comportamento pela PUC/SP. Possui formação pelo Centro de Investigación y Enseñanza  del Lenguaje CIEL/Barcelona, Espanha, em tratamentos psicoeducativos para indivíduos com diagnóstico de TEA – Transtorno do Espectro Autista utilizando Análise do Comportamento Aplicada. Professora do curso de psicologia da Estácio Fib em Salvador e da Faculdade UNIME, Lauro de Freitas, Bahia.

Você pode solicitar palestras sobre o tema para a profissional é só entrar em contato pelo email comunicacao@psicoatualizando.com

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