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A Depressão Como Um Sinal

Favim.com-25367Há várias explicações para a depressão. É comprovado que acontece por causa de uma alteração química na dinâmica do cérebro. É por isso que regular a química cerebral é um tratamento bastante utilizado pela psiquiatria. Há dezenas de medicamentos que são receitados durante o tratamento de um caso depressivo. Mas e se houvesse uma saída pela mudança de comportamento? Não seria melhor? E se, agindo de outra maneira, a depressão fosse embora? Será que seria mais favorável?

Se existisse essa saída, provavelmente a cura da depressão fosse muito mais eficiente, mais coesa; pois tornaria a pessoa independente de medicamentos. Sem medicamentos, menos alterações no organismo. Com menos alterações no organismo: menos efeitos colaterais e danos a longo prazo – mais saúde. O indivíduo escaparia da depressão por fruto de sua ação. Desse fruto, obviamente que viria um aprendizado. O indivíduo aprenderia a escapar da depressão. Se tornaria independente.

Eu gostaria de dizer que viver é um talento, e um talento que poucos praticam. Agora eu gostaria que você entendesse melhor o que quero dizer. Me acompanhe…

“O quê?! Não estou vivendo? Que blasfêmia! Estou vivo, ué… Você está falando bobagem. Meu coração está batendo, estou sentindo. É claro que estou vivendo…”

Tudo bem, seu corpo está vivo. Não há dúvidas disso. Mas isso não quer dizer necessariamente que você esteja vivendo. Venha comigo…

Viver, estar vivendo, é estar sendo capaz de realizar as suas vontades mais íntimas. São elas que fazem o homem, e qualquer outro ser vivo, contente e feliz. São muitos medos, repressões, punições (até de si para si), que impedem com que uma pessoa viva os seus desejos, os seus impulsos, os seus sonhos – aquilo que acredita ter valor e ser real.

É preciso um pouco de coragem para ir além disso tudo, atravessando a fronteira do medo. Muitas vezes, e esse também pode ser o seu caso – mas não necessariamente –, este pré requisito não é conquistado. A pessoa desiste. Desiste da vida, desiste de si, desiste de tudo. Para de lutar. Abandona o sonho. Isso pode ser um gatilho para a depressão; ou mesmo um sintoma da mesma, gerado pela falta de vida.

Se existem coisas – como dançar ou viver uma aventura – que você, intimamente, deseja fazer e não faz; é óbvio que, com o tempo, esse desejo passará de um simples impulso a um sofisticado peso. Começará a te machucar por dentro, turvando a sua alegria.

Tudo bem, não é difícil compreender porque você abandona alguns desejos. Você tem medo e vergonha. Medo do que o outro pensará de você. Ele pode te achar um esquisito, alguém que pensa diferente; nunca se sabe… Pode não gostar. Você tem vergonha de errar. Há muita coisa em jogo: há o amor dos seus pais, dos seus amigos, do seu irmão, dos seus filhos, da sua família, do seu cônjuge. Você não quer arriscar…

Isso não é uma particularidade sua. Todos nós temos um pouco desse medo, porque todos nós precisamos de amor.

Vamos dar mais uma volta…

Para as investigações psicológicas, as crianças são sempre uma boa ferramenta, porque a psicologia delas é mais simples. Freud concordava com isso e investigava o comportamento das crianças para decifrar o nosso. Grande parte do trabalho de Freud partiu dessa investigação…

Retire da criança os desejos dela e verifique o que acontece. Você destrói a criança. Ela chora, fica ansiosa, agressiva. Relata te odiar. Seu aspecto muda, fica sombrio. Cresce um desgosto. Toda a alegria que é natural do comportamento da criança desaparece.

Acontece o mesmo com o homem, mas de uma maneira disfarçada. A psicologia do homem é tão complexa que ela é capaz de enganar a si mesma. Os verdadeiros motivos de sua infelicidade ficam então mascarados. O homem dificilmente consegue uma expressão direta e transparente de suas emoções, assim como conseguem as crianças.

No caso do homem, é ele mesmo quem retira de cena os seus próprios desejos. Não há ninguém fazendo isso por ele. Pode mesmo ser um hábito, algo que veio se repetindo desde a tenra infância. Mas os desejos continuam lá dentro, escondidos, reprimidos como uma voz distante. É preciso ouvi-la. Eles não podem desaparecer, sair andando por aí; porque fazem parte da natureza humana. Do mesmo jeito que a criança, o espírito do adulto se alegra com a realização dos seus desejos.

Você pode tomar remédios, ou pode também investigar a depressão com atenção e notar se ela não significa algum tipo de sinal: algo que você está deixando de fazer, algo que te faria feliz. Escute o corpo, se arrisque, tome atitudes que você desejaria tomar e que tem medo. Cruze a fronteira, o limite; vá além da zona de conforto. Tente…

Talvez a depressão se torne menos inimiga e mais amiga. Talvez ela esteja precisando apenas ser ouvida.

Thiago Barbato Maia
Thiago é estudante de psicologia e amante de literatura. Encontrou, durante suas leituras acadêmicas, um meio de unir a paixão literária às ciências psicológicas propriamente ditas. Tel: (71) 99969-0990 Email: thiagobarbatomaia@hotmail.com
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